Flávio Thompson

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Crescem os casos de crianças e adolescentes com diabetes tipo 2

rose.guirro@gbr.com.br

Doença era até há alguns anos exclusiva de adultos mais idosos, mas, agora, já afeta a população infantojuvenil em todo o mundo; obesidade é a principal causa.

O crescimento da obesidade entre crianças e adolescentes, além do sedentarismo e de hábitos alimentares inadequados, está provocando um fenômeno que preocupa médicos: o surgimento do diabetes tipo 2 (DM2) entre essa população. “Até há alguns anos atrás, o DM2 era exclusivo de pessoas mais velhas”, explica dra. Jacqueline Araujo, endocrinologista e coordenadora do Departamento de Diabetes Tipo 1 em Crianças e Adolescentes da Sociedade Brasileira de Diabetes.
A diferença do diabetes tipo 1 para o diabetes tipo 2 está no fato de que, no primeiro caso, há uma falta de produção de insulina; já no segundo, o organismo desenvolve uma resistência à ação desse hormônio, mas, com o tempo, também há redução na produção.
O diabetes tipo 1 é o mais comum na infância e adolescência. Mas, agora, já há estudos que mostram o aumento do DM2 crianças e adolescentes em vários países. A prevalência é maior nos Estados Unidos, em especial nos descendentes afro-americanos e alguns grupos de povos nativos. “Eles viviam em um ambiente natural, passaram fome, privação de alimentos, e de repente se mudaram para regiões de alimentação farta e industrializados e ganharam muito peso”, explica dra. Jacqueline, lembrando que os primeiros casos de DM2 em jovens foi identificada entre os Pima, no Arizona. Outros locais com muitos casos são a China e a Índia, países onde a alimentação vem mudando bastante nos últimos anos. Um estudo de 2021, que fez um levantamento sobre qual era a prevalência mundial de DM2, mostrou que, naquele ano, aconteceram 41.600 novos casos de DM2 em adolescentes no mundo.
“Sem dúvida a alimentação é a principal causa da obesidade e do surgimento do DM2”, acredita dra. Jacqueline. “A oferta de produtos industrializados é grande, com preços acessíveis a todas as classes sociais e, pela praticidade, muitas famílias estão alimentando inclusive bebês com esse tipo de alimento, o que é totalmente contraindicado.”

Casos no Brasil

“Não temos estudo epidemiológico no Brasil que mostre a incidência ou prevalência de DM2 em crianças e adolescentes, mas sabemos que ainda não é tão elevada quanto nesses países”, afirma a médica. “Mas há grupos e serviços de referência que levam seus trabalhos em congressos mostrando que já há um número grande de crianças com DM2.”
De acordo com o Atlas Mundial da Obesidade, em 2035 o Brasil poderá ter até um terço das suas crianças e adolescentes vivendo com obesidade. Os dados mais recentes, de 2020, mostram que aproximadamente 12,5% das meninas no país têm obesidade, enquanto a taxa é de 18% nos meninos. Até 2035, porém, esses índices podem chegar a 23% e 33%, um aumento de 84% e 83,3%, respectivamente.
Um outro levantamento, feito pelo Instituto Desiderata, pelo Nupens (Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da USP) e pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) sobre o impacto econômico do excesso de peso na saúde pública, mostra que, em uma década, os gastos com internação de crianças e adolescentes com obesidade no SUS aumentaram 20%, passando de R$ 145 milhões, em 2013, para R$ 174 milhões, em 2022. Se adicionarmos gastos com atendimentos ambulatoriais e medicamentos, esse total chega a R$ 225,7 milhões.
Com dados apontando crescimento da obesidade infantojuvenil, aumenta também a preocupação com o DM2 nessa população. “Principalmente porque estudos feitos nos EUA mostram que o DM2 em crianças e adolescentes parece ser mais grave, então mais rapidamente a criança evolui para complicações como nefropatia (doença renal), complicações cardiovasculares e perda da visão”, diz dra. Jacqueline. “Não se sabe ainda o motivo, mas a evolução é muito mais rápida nos adolescentes que têm DM2 do que nos adultos.” Segundo ela, há relatos de crianças que no momento do diagnóstico já apresentavam complicações renais, mostrando que ela já tinha aquela doença há algum tempo sem apresentar sintomas. “Há crianças que 1 ou 2 anos após o diagnóstico já apresentam complicações que no adulto demoram de 5 a 15 anos para aparecer”, esclarece.
Os sintomas desta doença são como os de adultos, demoram mais para se manifestar. Os sintomas típicos de DM1, como fazer muito xixi, beber água toda hora e perder peso demoram muito para começar no DM2, então quando surgem já faz muitos anos que a criança tem a doença. “Por isso é indicado que toda criança que tem sobrepeso ou obesidade faça, rotineiramente, o exame de glicemia e, em alguns casos, também a hemoglobina glicada.”

Fonte: rose.guirro@gbr.com.br


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