Credito: Celina Bernardes
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CBF anuncia Programa de Apoio à Reestruturação Financeira para clubes da Série B

CBF

Entidade manterá o custeio de logística e arbitragem para a competição, condicionando o benefício à adesão a práticas de boa gestão e ao cumprimento do SSF. Conselho Arbitral da Série B definiu ainda a criação de playoffs para a competição

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciou, durante a reunião do Conselho Arbitral da Série B neste quinta-feira (5), a criação do Programa de Apoio à Reestruturação Financeira de Clubes da Série B (PARF-B). A iniciativa visa fortalecer a sustentabilidade econômica da competição, vinculando o suporte financeiro da entidade ao compromisso dos clubes com a responsabilidade financeira e com boas práticas de gestão. Durante a reunião, foi definida também a criação de “playoffs” entre os times que finalizarem a competição da 3ª à 6ª colocações.

A CBF deu mais uma demonstração concreta de valorização de seus produtos com o anúncio do PARF-B, anúncio que garante tranquilidade financeira e equilíbrio competitivo para a edição deste ano da Série B. Através do programa, a CBF confirma que continuará a financiar integralmente as despesas de logística (transporte e hospedagem), de exames antidoping e as taxas de arbitragem para a disputa da competição.

No entanto, a partir desta temporada, a manutenção desse benefício estará estritamente condicionada ao cumprimento de uma série de requisitos que fazem parte do arcabouço do Sistema de Sustentabilidade Financeira (Fair Play Financeiro) criado pela CBF, demandando como contrapartida colaboração e transparência pelos clubes.

Para o presidente da CBF, Samir Xaud, o desfecho da reunião foi o esperado tanto pela parte da CBF como pelo lado dos clubes. “Foi uma reunião muito produtiva. Estamos numa reconstrução dos nossos campeonatos. É um produto que estava desvalorizado e estamos trabalhando nessa valorização. Chegamos num denominador comum, achamos uma forma de enaltecer o nosso produto, de valorizar ainda mais e ajudar os clubes, pensando na sua saúde financeira como um todo, chegando em um modelo de gestão que estamos implementando aqui na CBF. Nada mais justo do que a CBF continuar ajudando os clubes financeiramente, aportando alguns gastos, mas em contrapartida os clubes mostrarem esse controle financeiro”, disse Xaud.

O presidente da CBF, Samir Xaud, festejou o desfecho da reunião, que deu perspetivas de crescimento para a Série BCréditos: Rafael Ribeiro / CBF

Segundo o vice-presidente da CBF, Gustavo Henrique Dias, a medida, estudada pelo corpo técnico da CBF, demonstra responsabilidade por parte da CBF com seus filiados. “A CBF vai sempre buscar o melhor para os seus filiados e o melhor para a competição. Queremos corrigir os erros do passado e tentar trilhar um caminho para que essa competição seja valorizada. É uma competição que a população gosta, que é super disputada. Estamos muito felizes com a reunião”, disse Dias.

Entre os representantes de clubes, o desfecho da reunião do Conselho Arbitral trouxe uma sensação de renovação da Série B. Guilherme Bellintani, dono da SAF do Londrina, acredita que a união entre uma nova fórmula de disputa e a obrigatoriedade da responsabilidade fiscal e financeira dos clubes representa um caminho próspero para a Série B.

“Acho que a Série B sai daqui absolutamente renovada. A mudança no modelo competição, incluindo os playoffs, faz com que até o último momento da competição o meio de tabela continue disputando o acesso. Isso é muito positivo, acho que o público ganha, o torcedor ganha, os clubes ganham. E em relação às finanças de cada clube, especialmente, o que a gente vê é um movimento de certa forma inédito na CBF, que é sustentar o processo de financiamento da logística, um procedimento histórico da relação dos clubes com a CBF, mas avançar nesse sentido, condicionando isso ao cumprimentos das primeiras regras do Fair Play financeiro”, disse.

PAra o vice-presidente da CBF, Gustavo Henrique Dias, a entidade mais uma vez demonstrou responsabilidade para com os clubes filiadosCréditos: Rafael Ribeiro / CBF

A criação do PARF-B e o equilíbrio que a medida trará para a competição foi elogiada também por Náutico e São Bernardo, clubes que já estavam amparados pela assinatura de um acordo comercial diretamente com a CBF, mas que também se mostraram favoráveis à medida, em prol de uma competição mais isonômica.

“O dilema maior era a questão dos dois blocos que se formaram na Série B, que era de Náutico e São Bernardo, os demais 18 clubes, e a questão da logística. E a CBF trouxe uma saída inteligente, que fomenta a competição. Ou seja, não é uma decisão que deixa os clubes sem ter esse amparo. Mais uma vez, é uma situação em que todos ganham, a CBF ganha e o futebol ganha, porque tudo, no final, vai direcionar para essa questão da responsabilidade do gestor com o Fair Play financeiro”, disse o presidente do Náutico, Bruno Becker.

Bruno Becker, presidente do Náutico, considera que a CBF trouxe uma saída inteligente para a temporada deste ano da Série BCréditos: Rafael Ribeiro / CBF

Formato de disputa

Outra grande novidade é a alteração do formato da competição, com a criação de um sistema de “playoffs” ao término das 38 rodadas de pontos corridos, envolvendo os quatro clubes posicionados da 3ª à 6ª colocação. Com a proposta, aprovada por maioria de votos dos representantes de clubes presentes, as duas vagas restantes de acesso serão definidas ao fim de confrontos de ida e volta, com o 3º colocado enfrentando o 6º, e o 4º disputando contra o 5º.

“Buscando possibilidades de criar maior valor comercial, maior atratividade para a competição da Série B, nós propusemos para debate e votação entre os 20 clubes presentes na reunião do Conselho, a cereja do bolo da reunião de hoje, com a implementação do Playoff. A partir deste ano na Série B, os clubes que ficarem de terceiro a sexto, ou seja, esses quatro clubes, eles jogarão duas partidas, ida e volta, para que sejam determinados os últimos dois clubes que subirão junto com o primeiro e o segundo colocado na classificação geral para a Série A do ano de 2027”, disse Julio Avellar, diretor de competições da CBF.

O diretor de competições da CBF, Julio Avellar, considera que as alterações definidas em reunião podem trazer maiores possibilidades comerciais para a Série BCréditos: Rafael Ribeiro / CBF

Outra grande mudança foi a decisão dos clubes de alterar o calendário inicial, que previa uma pausa durante o período de Copa do Mundo, para incluir partidas da Série B enquanto o Mundial estiver acontecendo. Para Avellar, esta medida pode aumentar o nível técnico da competição.

“Com isso vamos conseguir espaçar mais os jogos, o que aumenta o nível técnico, ajuda na preparação e na recuperação física dos atletas e até na logística dos clubes”, concluiu.

Critérios de Excelência e Monitoramento

O PARF-B está sendo desenhado para premiar a gestão responsável e a transparência. Para permanecer no programa e usufruir do custeio das despesas operacionais, os clubes deverão cumprir os requisitos do novo Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF) da CBF.

Além das regras gerais do sistema, os participantes deverão observar novos indicadores específicos de desempenho e conformidade, focados em solvência, modernização de gestão e transparência. O detalhamento técnico desses indicadores será apresentado em regulamento próprio, a ser divulgado pela CBF até o final de fevereiro.

Guilherme Bellintani, da SAF do Londrina, acredita que a Série B foi “renovada” com as decisões da reuniãoCréditos: Rafael Ribeiro / CBF

O monitoramento dos indicadores e a auditoria das informações prestadas ficarão a cargo da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF), instituição independente criada pela CBF especificamente para a fiscalização e gestão do Fair Play Financeiro da entidade.

O objetivo é fomentar um ambiente de negócios mais seguro, onde os recursos economizados pelos clubes com a isenção de custos operacionais sejam efetivamente direcionados para o saneamento de passivos e para a reestruturação interna.

Regras de Permanência

A adesão ao programa é facultativa, mas a fiscalização será contínua ao longo de todo o campeonato. Caso a agência reguladora identifique o descumprimento dos requisitos de gestão e governança estipulados no regulamento, o clube estará sujeito à exclusão do programa.

Nesse cenário de desenquadramento, o clube perderá imediatamente o subsídio da CBF e passará a ser o único responsável pelo pagamento de seus próprios custos de logística e arbitragem até o fim da competição.

Fonte: CBF



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